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35 frases de Mia Couto para conhecer mais desse escritor moçambicano
Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto, é um escritor e biólogo de Moçambique. Um expoente da literatura africana, ele já recebeu diversos prêmios famosos, como o Prêmio Camões e o Neustadt Prize. Com uma escrita poética, ele encanta leitores de todas as partes do mundo. Conheça um pouco mais desse escritor incrível com essas frases de Mia Couto!
35 frases de Mia Couto perfeitas para quem gosta de literatura contemporânea
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Todas as influências são parte de mim, que dão vazão na palavra, que constrói e inventa.
Cada um descobre o seu anjo tendo um caso com o demônio.
Seria preciso esperar séculos para que cada homem fosse visto sem o peso da sua raça.
Só há um modo de escapar de um lugar: é sairmos de nós. Só há um modo de sairmos de nós: é amarmos alguém.
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A infância é ver o mundo como algo que não está acabado. Aquele adulto que não se surpreende com nada, sinto dizer, mas está morto.
Carregamos o nosso passado como uma doença e o nosso presente parece estar conectado com um culto pela velocidade, que não nos faz refletir sobre o que nós somos.
Porque dentro de mim, não sou sozinho. Sou muitos. E esses todos disputam minha única vida.
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Não viver é o que mais cansa.
As pálpebras limpam os olhos de poeiras. Que pálpebras limpam as poeiras do coração?
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O que dói na morte é a falsidade. A morte apenas existe por uma brevíssima troca de ausências. Em outro ser, o morto irá renascer. A nossa dor é a de não sabermos ser imortais.
Viver é fácil: até os mortos conseguem. Mas a vida é um peso que precisa ser carregado por todos os viventes.
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Os homens são assim, fingidos de força, porque têm medo.
O jovem nem sabe explicar. Mas era como se o mar, com seus infinitos, lhe desse um alívio de sair daquele mundo.
O segredo é demorar o sofrimento, cozinhá-lo em lentíssimo fogo, até que ele se espalhe, diluto, no infinito do tempo.
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Somos madeira que apanhou chuva. Agora não acendemos nem damos sombra. Temos que secar à luz de um sol que ainda há. E esse sol só pode nascer dentro de nós.
Não há espaço dentro de nós para enterrarmos as nossas pequenas mortes.
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Os sonhos são cartas que enviamos a nossas outras, restantes vidas.
Havia duas maneiras de partir: uma era ir embora, outra era enlouquecer.
Não vê os rios que nunca enchem o mar? A vida de cada um também é assim: está sempre toda por viver.
Todos elogiam o sonho, que é o compensar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos.
A gente não vai para o céu. É o oposto: o céu é que nos entra, pulmões adentro. A pessoa morre e é engasgada em nuvem.
Quem viveu pregado a um só chão não sabe sonhar outros lugares.
A vida, para ele, era um rio comportado. A felicidade era o prenúncio da inundação.
Morreram milhares de moçambicanos, nunca vos vimos cá. Agora, desaparecem cinco estrangeiros e já é o fim do mundo?
O sonho é o olho da vida.
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Muitas pessoas viajam de avião, mas quando fazem turismo parece que estão numa gaiola. Viajar é sair de nós mesmos.
O que não pode florir no momento certo acaba explodindo depois.
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Quanto mais inabitável, mais o mundo fica povoado.
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O paraíso não é um lugar, é um breve momento que conquistamos.
Na guerra, os pobres são mortos. Na paz, os pobres morrem.
Porque andei sempre sobre meus pés, e dou-me às vezes viver.
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Quem está a balançar: sou eu, é a cadeira ou é o mundo?
Saudade é esperar que a farinha se refaça em grão.
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Não tínhamos entendido a guerra, não entendíamos agora a paz.