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Minha escrita é contaminada pela condição de mulher negra.
30 frases de Conceição Evaristo que trazem ótimas reflexões
Uma das escritoras mais influentes da literatura afro-brasileira, Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte, em 1946. De origem humilde, ela é a primeira pessoa da sua casa a conseguir um diploma universitário. Com diversos livros de contos, poesia e romance publicados, ela denuncia diferentes problemas da sociedade em suas obras. Leia essas frases de Conceição Evaristo e conheça mais da autora!
Frases de Conceição Evaristo para conhecer mais da literatura afro-brasileira
Uma paixão profunda é a boia que me emerge. Sei que o mistério subsiste além das águas.
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O meu texto é um lugar onde as mulheres se sentem em casa.
Tenho dito e gosto de afirmar que a minha história é uma história perigosa, como é a história de quem sai das classes populares, de uma subalternidade, e consegue galgar outros espaços.
E pedimos que as balas perdidas percam o nosso rumo e não façam do corpo nosso, os nossos filhos, o alvo.
Do negror de meus oceanos a dor submerge revisitada esfolando-me a pele que se alevanta em sóis e luas marcantes de um tempo que aqui está.
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A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio.
Gosto de dizer ainda que a escrita é para mim o movimento de dança-canto que o meu corpo não executou, é a senha pela qual eu acesso o mundo.
Hoje, a escrita da mulher negra não tem essa função de adormecer a Casa Grande. Pelo contrário, é uma escrita que incomoda, que perturba.
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O que os livros escondem, as palavras ditas libertam.
A noite não adormece nos olhos das mulheres, há mais olhos que sono onde lágrimas suspensas virgulam o lapso de nossas molhadas lembranças.
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Na face do velho as rugas são letras, palavras escritas na carne, abecedário do viver.
Na face do jovem o frescor da pele e o brilho dos olhos são dúvidas.
Não gosto do termo intolerância, vejo isso como uma dificuldade de conviver com o outro, mas prefiro acreditar que a crueldade não é inata e, sim, adquirida.
Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto, ela sorria feliz. Mas eram tantas lágrimas, que eu me perguntei se minha mãe tinha olhos ou rios caudalosos sobre a face.
A exceção só serve para confirmar a regra. E que regras são essas, sociais e raciais, dentro da sociedade brasileira que, para alguns vencerem determinadas barreiras, é muito fácil?
O mar vagueia onduloso sob os meus pensamentos. A memória bravia lança o leme: recordar é preciso.
A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias, debaixo das trouxas, roupagens sujas dos brancos, pelo caminho empoeirado rumo à favela.
Na voz de minha filha se fará ouvir a ressonância o eco da vida-liberdade.
Mastigo-me e encontro o coração de meu próprio fruto, caroço aliciado, a entupir os vazios de meus entrededos.
Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem, quero mascar, rasgar entre os dentes, a pele, os ossos, o tutano do verbo, para assim versejar o âmago das coisas.
A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água. Águas de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum.
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Quando meus pés abrandarem na marcha, por favor, não me forcem.
Que esses jovens se apropriem do que o estado brasileiro pode oferecer a eles, porque o que o estado brasileiro está oferecendo até então não é prêmio, é obrigação, todos nós.
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Nossos poemas conjuram e gritam.
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Eu não nasci rodeada de livros e, sim, rodeada de palavras.
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Se é direito quero concorrer.
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Vagos desejos insinuam esperanças.
O banzo renasce em mim.
E o silêncio escapou ferindo a ordenança e hoje o anverso da mudez é a nudez do nosso gritante verso que se quer livre.